Estudo de Claire Metz Gaudard, intitulado AUSÊNCIA DO PAI E SOFRIMENTO PSÍQUICO POR OCASIÃO DE SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO.

Este estudo foi realizado na França no ano de 2003.
Foram analisados 12 casos. Os resultados revelam que os efeitos da ausência física do pai recebem influencia da história infantil de cada um dos genitores (como estão identificados com seus próprios pais), da história conjugal dos pais dos mesmos e da forma como conduzem a relação com o filho. - a ausência do pai, com a separação, provoca uma reaproximação dos filhos com a mãe e pode deixar a criança confusa quanto aos papéis dos pais.
Efeito nos filhos:
- a mãe pode colocar-se na condição de não reconhecer os desejos da filha pelo pai, prejudicando-a no seu desenvolvimento emocional; - o filho pode viver a separação como um abandono precoce e diferenciar a condição do filho de um pai, antes da separação, e do filho de um pai, depois da separação. Ficando com a mãe, permanece como um filho identificado com um pai (como homem) que rejeitou a mãe e isso traz efeitos negativos na sua relação com a mãe.
Ainda segundo este estudo, a questão da ausência do pai reflete nos pais: - na mãe que considera os juízos e as visitas do pai como nocivas ao filho; - no pai que fica na vivência de uma exclusão da vida cotidiana e da educação dos filhos.
A importância da presença real do pai para o psiquismo da criança é apontada em nove itens:

A escolha do pai:

# o pai fornece uma alternativa ao amor, diferenciada daquela existente na mãe (amor do pai difere do amor da mãe);
# o pai vincula amor e desejo;
# o pai vê em sua filha, uma futura mulher;
# a idealização do pai é crucial para a separação da mãe (favorece esta condição, necessária à criança);
# o pai indica a presença da diferença sexual e origem da vida na concepção homem-mulher;
# o pai promove a aceitação de tendências passivas (na firmeza da colocação de regras e limites);
#  o pai sustenta a condição turbulenta da adolescência dos filhos.  A escolha amorosa:
# o pai abre o caminho do trabalho feminino (na condição de reconhecimento da função feminina);
# o pai inaugura a série do masculino.
Trouxe estas questões para estimular pais e mãe a compartilharem seus filhos tendo o reconhecimento da importância deste compartilhamento para o desenvolvimento psíquico da criança e do adolescente.

Martha Wankler Hoppe
Psicóloga, Professora e Pesquisadora. DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO:

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