por Sócrates Nolasco

Licença Paternidade
Na França foi homologada em 4 de dezembro de 2001 uma lei que trata da licença paternidade. Ela passou a vigorar em 1 de janeiro de 2002 e estabelece que um homem tem o direito de ter 11 dias consecutivos de liberação do trabalho face ao nascimento de seu bebe.
Esta licença deve ser solicitada quatro meses antes do nascimento da criança e é resultado de um acordo entre o patronal, sindicatos e o Estado.
Esta mudança legal emerge num contexto onde homens franceses, de aproximadamente 30 anos, desejam reavaliar a relação que os mesmos mantém entre carreira e vida familiar. É uma tendência que cresce, e busca estabelecer outra relação entre vida privada e pública.

República Tcheca - Rádio Praha
Está sendo movido junto a Corte Européia pelos Direitos do Homem um processo contra o Estado. Os requerentes, homens divorciados, reivindicam o pagamento de 1000 euros por mês diante de sentenças expedidas pelas varas de família que determinam o impedimento dos mesmos de verem seus filhos frente ao final do casamento e o respectivo acordo de separação.
Se isto chegar aqui o Estado quebra.

Direitos IGUAIS?
Afinal, a pauta política que se funda e reivindica direitos iguais para homens e mulher deveria ter mecanismos de ação que estendessem para os homens benefícios que são pertinentes exclusivamente as mulheres. Por exemplo, em uma sociedade "igualitária" a licença maternidade de quatro meses deveria converter a paternidade, de cinco dias, para a mesma quantidade de meses. A reivindicação por uma paternidade responsável não está a altura de uma licença relâmpago.
Por outro lado, por que uma mulher pode se beneficiar de um programa de saúde pública e um homem não?
Hoje, existem diferentes programas voltados para a saúde da mulher, inseridos dentro dos sistemas do Estado, pagos por homens e mulheres, e para os homens o que existe? Nada.
Os homens morrem mais e mais cedo do que as mulheres, porém, o que está sendo feito para atendê-los no que tange a problemas de saúde específicos deste segmento da população.
Nenhuma campanha está sendo feita para prevenir o câncer de próstata, a morte por causas externas ou ainda, doenças cardio-respiratórias e hipertensas.
Existem planos de saúde que cobrem doenças como a câncer de mama, mas que não cobrem o de próstata.
Tudo isto faz lembrar o oposto da misoginia, ou seja, uma misandria emergente. Os sobreviventes são ainda coibidos a serem novos e homens.

Violência
PARTE 1- Um interessante estudo de psicologia desenvolvido pela Prof. Dr. ª Natahlie Wittenberg e publicado no Anneau des Ressources Francophone de L' Education, aponta que frente a tantos ditos sobre a violência doméstica seria uma ousadia um homem falar de situações de violência doméstica as quais se sentem expostos.
Pergunta ela: como poderia um sexo, que um dia foi frágil, ser agente de violência contra o sexo que é considerado forte? A estranheza desta pergunta limita não só a busca como a construção de mecanismos que possam registrar situações de violência que algumas mulheres exercem sobre alguns homens. A prof. ª Wittenberg diz que quando os homens conseguem falar sobre a vida tiveram com suas mães, professoras ou aquelas de quem receberam cuidados, pode-se perceber não só marcas de situações de violência, como também dos mais variados tipos de abusos.
Mulheres que foram abusivas com crianças que agora adultas, recorrem à terapia, escondem-se durante muitos anos na memória destes indivíduos atrás de uma imagem santificada, socialmente atribuída a elas. Para eles é muito difícil vê-las sem esta ilusão.
É mais "aceitável" reconhecer em um homem seu potencial agressor do que reconhece-lo em ação em uma mulher. Enquanto que o agressor do sexo masculino é passível ser condenado por crimes de violência, as mulheres agressoras são vistas como loucas ou insanas.

PARTE 2 - Homens do Kenya rompe o silêncio.

NAIROBI, 31 de outubro, Pela primeira vez alguns homens do Kenya admitiram que são os mais recentes focos da violência conjugal.
No Kenya, a tradição impede aos homens de chorar ou de falar de quaisquer mal trato que lhe são impingidos, principalmente se for produzido por uma mulher. Caso falem abertamente sobre esta situação temem ser considerado como covardes.
Diferentes grupos que atendem vítimas de violência doméstica relatam que cada vez mais é comum homem contarem situações de agressão impingidas por suas esposas. As agressões variam desde físicas, a exemplo de espancamento com barras de ferro até situações de humilhação e violência emocional produzidas por mulheres.
O grupo FIDA-KENYA diz que recebe anualmente cerca de 5000 queixas de violência conjugal impetrada por mulheres. Grupos feministas dizem que o número de casos é muito pequeno.
Uma mulher em Nairobi, chamada Ann Njeri, diz que bate em seu marido para provocá-lo.

PARTE 3 - É muito sério o que o escritor paquistanês, Tariq Ali, está denunciando. Ele aponta que a maior parte das ONGS são financiadas pelo Banco Mundial e por organizações ligadas aos governos do ocidente. Por exemplo, os Estados Unidos às recrutam para realizar um "programa de democratização" da sociedade iraquiana que atende aos interesses norte-americanos. Segundo Ali, estas instituições não governamentais recebem fundos governamentais para agirem dentro do Iraque segundo as necessidades políticas e sociais de seus patrocinadores. Mais do que realizarem trabalhos essenciais elas em parceria com as mídias distraem a opinião pública fazendo-a olhar para questões que não são importantes focos de transformação social.
Diante desta perspectiva é interessante pensar o programa de envolvimento dos homens nas atividades de saúde reprodutiva e paternidade responsável.

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